A revolução das princesas – arquétipos da Disney



Já repararam como as princesas das histórias da Disney estão mudando para se tornarem suas próprias heroínas? Pois trata-se de uma revolução dos arquétipos da Disney. Os arquétipos foram identificados por Carl Jung como sendo um conjunto de imagens psíquicas presentes no inconsciente das pessoas. Tais imagens motivam o ser humano a agir ou se comportar de  determinada maneira, e eles podem ser usados para revolucionar a organização cultural das sociedades.

Encontramos muitos destes arquétipos  na educação infantil, onde são incorporados de forma lúdica, com a intenção de auxiliar o entendimento das crianças sobre o bem o mal, e o papel de cada um na sociedade. As princesas e os príncipes foram os personagens mais utilizados com a intenção de motivar as crianças a desenvolverem a gentileza a bondade e a generosidade. Afinal nenhuma criança deseja ser como a bruxa malvada, elas sempre se espelham na linda e delicada princesa, e no carismático e heroico príncipe.

Mas os tempos estão mudando, e os arquétipos precisam acompanhar a evolução da atual sociedade para motivar nossas crianças a desempenhar o seu papel com o apoio e a segurança que só o conhecimento oferece.

A revolução das princesas

Se antes as princesas esperavam sentadas e apavoradas até o surgimento de um príncipe para a sua salvação, hoje, elas mesmas encontram meios de se livrarem das garras do inimigo. Além de gentis e delicadas, agora também são espertas, questionadoras, aventureiras e, fortes.

A Rapunzel de “Enrolados” passa por uma severa crise psicológica, muito comum entre todos os jovens em fase de amadurecimento. Ela se permite questionar a si mesma e a sua criadora, a sequestradora que se passa por sua mãe. No final da trama, que contém muitas aventuras para também agradar os meninos que gostam de ação, é a princesa quem salva o príncipe, valorizando as suas qualidades femininas como força,  e coragem.

Este foi o primeiro filme de sucesso da Disney, após o fracassado “A princesa e o Sapo”, que apesar da boa intenção em motivar as meninas negras a se sentirem como princesas, por questões técnicas, não foi um filme muito assistido. Esses arquétipos inspiram nossas crianças a se tornarem mais confiantes, independentes e bem sucedidas.

Já no filme “Valente”, uma grata surpresa! A tão respeitada rainha não é uma bruxa, e sim, o maior suporte do rei. Ela é a mãe de trigêmeos muito levados e uma garotinha muito esperta chamada “Merida”, a princesa. Merida é cheia de atitude e valentia, como sugere o título do filme. Na trama, ela soluciona problemas de relacionamentos com a mãe, além de uma questão de obrigação política que obrigava as jovens a se casar contra a própria vontade, reforçando aí a questão de respeito que se é devido às necessidades das mulheres de todas as nações. Atualmente, em países da Ásia meridional e África, 70 milhões de jovens foram obrigadas a se casarem antes de completarem 18 anos, e 400 milhões delas se casaram ainda na infância. Elas sofrem estupros em troca de dotes financeiros que são aproveitados pelas famílias da criança.

Com todas estas histórias tristes acontecendo pelo mundo e as mulheres sendo figuradas como frágeis e incapazes,  a Walt Disney Studios surge com mais um reforço para as meninas não se sentirem tão dependentes do sexo masculino. Na animação “Frozen”, o amor verdadeiro é revelado pela própria irmã, a rainha aparentemente fria que a salva da morte. O filme se tornou campeão de bilheteria no mundo todo.

Há uma revolução acontecendo para o bem de nossas crianças, e de nós mesmos. Por isso, pais, professores e toda a sociedade deve tomar conhecimento e estar disposta a apoiar estas mudanças.

A importância dos arquétipos na infância

Os arquétipos assimilados na infância permanecerão em nosso interior até que nos tornemos adultos. Eles serão os responsáveis por nossas ações e pensamentos mais profundos. Por isso Carl Jung declara que nossa criança interior deve manter-se em cuidado permanente, para que não nos esqueçamos de nossos principais valores e para que possamos correspondê-los.

O ser humano é muito suscetível aos arquétipos. Crianças abandonadas e mal tratadas podem passar a vida se emboscando em situações e companhias de pessoas que as maltratam. Isto por quê, a sua inconsciência supõe que se deve corresponder somente ao que se conhece, sem que se reconheça. Ou seja, após muitos anos na companhia de um pai violento, a criança terá dificuldades em reconhecer a violência em outras pessoas, se tornando frágil, medrosa, muito tímida com todos, e podendo sofrer novos abusos.

Isso ocorre por esta criança não ter tido a oportunidade de assimilar outro arquétipo que não fosse o violento durante a sua infância.  Mesmo que esta condição seja temporária, esta criança poderá se dar conta apenas quando se tornar adulta, e quando tiver obtido maior conhecimento sobre as coisas.

Estudos confirmam que o ser humano necessita de um ambiente estável até seus 30 anos de idade, para que sejam saudáveis e psicologicamente equilibrados, mas os primeiros anos de vida da criança são definitivos.

Teka

Redatora e ilustradora de conteúdo para sites na internet. Curiosa, pesquisadora e investigativa. Tinha o sonho de se tornar astronauta. Acredita que um dia encontrará a "arca da aliança" e trocará informações com civilizações avançadas de outros planetas. Casada há 20 anos, mãe de 3 filhos, compartilhando experiências.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *