5 coisas que aprendi com a doença da minha filha

menina com dor



Quando pensamos em ter filhos não nos preparamos, de verdade, para as adversidades, problemas e riscos que podemos vir a enfrentar a partir de seu nascimento em diante. É muito mais fácil, além de prazeroso, focarmos nossas atenções no seu quartinho, no chá de bebê, escolha dos padrinhos, nos mimos e todo carinho. Mas, ter um filho não é assim tão simples, eles são frágeis, podem adoecer com facilidade, contrair infecções que nem sabíamos que existiam, ou, pior ainda, eles podem nascer com propensão a desenvolver graves doenças. Cruel? Sim. Mas faz parte das experiências da vida.

Eu vou dividir a minha experiência com vocês, e espero que possa lhes servir de alguma maneira.

5 coisas que aprendi com a doença da minha filha

Eu já estava dando conta das noites sem dormir e de todo o estresse que, naturalmente, nos sobrecarrega após a chegada do primeiro filho, quando descobri que estava grávida novamente. Isso aconteceu durante os preparativos para a sua festa de primeiro aninho. Eu estava ansiosa pra comer brigadeiro, até me sentir completamente enjoada só de olhar pra ele. Assim sendo, logo me bateu aquela desconfiança, e tive o resultado positivo alguns dias depois. A surpresa foi sendo assimilada lentamente, enquanto eu melhorava a cada dia. Tive a intuição de que seria uma linda menininha, e assim foi. Ela nasceu perfeita, inteligente e muito ativa, seus primeiros passos sozinha foram aos 9 meses de vida, afinal engatinhar era para os fracos, como ela gosta de se gabar hoje em dia. Também falou cedo e se desenvolveu muito bem, até que, aos seus 2 anos de idade, observei um sangramento incomum em suas fezes. As dores abdominais vieram depois. Vômito, diarreia e crises de alergia a determinados alimentos se tornaram sintomas comuns a partir de então.

Ela sempre apresentava estas crises, e nós vivíamos no hospital. Nos consultamos com vários médicos, cinco no total, e aí é que começa a nossa saga.

1. As vezes a opinião de até 3 médicos  pode não ser o suficiente

A primeira vez que a minha filha ficou internada por conta dos sintomas de dor, fraqueza e sangramento, o diagnóstico foi ridículo perante a gravidade do problema. Ela evacuava uma grande quantidade de sangue e as enfermeiras me confrontavam afirmando que talvez ela tivesse consumido beterraba no almoço, e enquanto isso, os médicos afirmavam que poderia se tratar de uma infecção intestinal simples. Eles faziam os exames de praxe mas não se desafiavam a buscar uma causa real para o problema, o que nos levou a vagar de médico em médico até a primeira cirurgia.

A primeira cirurgia da Mariana foi para retirar o apêndice. Eu percebi que a região do abdome, onde se localiza este órgão, estava inchada, e chamei o médico, ele pediu os exames mas eles não acusavam o problema. Então, o doutor me chamou no canto e disse: – Tem certeza de que ela não está fazendo manha? Ela não seria o tipo de menina que chora por qualquer coisa?

Eu fiquei completamente indignada. Primeiro porque eu me orgulhava de ver a moleca que a Mari era, ativa, forte e destemida, e depois, porque ela jamais seria fingida a ponto de preferir ficar tomando agulhadas nas veias e passando fome, sem poder brincar ou subir nas árvores como ela gostava. A minha sorte foi que, neste dia, havia um médico de outro hospital dando plantão, e ele foi certeiro em perceber que o apêndice dela estava inflamado. A cirurgia ocorreu às pressas e mesmo correndo tudo bem, ela não melhorava. O sangramento ainda era frequente, e chegamos a pensar no pior.

2. A qualquer momento tudo pode piorar

Três anos depois e várias crises que fizeram com que a minha filha retornasse ao hospital todas as vezes, uma médica pediatra resolveu investigar o caso a fundo. Pediu mais uma série de exames que,  mais uma vez, apresentaram resultados que não diziam nada. Então, ela conversou com seu marido e cirurgião, e eles resolveram “abrir” a minha filha para ver o que estava acontecendo. Ele chegou de manhã e disse: – Olha, ela não pode continuar assim, e nós não sabemos o que ela tem. Vamos ter que abrir o abdome dela pra ver.

Querem saber qual foi a minha reação? Eu ri. Sim, eu sei… mas foi exatamente o que fiz. Olhei bem para o rosto pálido e sério do doutor e simplesmente caí na gargalhada. Foi um momento de choque e euforia, porque eu queria acreditar que o médico estava fazendo uma piada. Só fui voltar a mim após alguns minutos com a ajuda das enfermeiras que tentavam me acalmar. O motivo disto era óbvio, nós já íamos para o terceiro dia de internação, eu estava exausta, uma vez que não saía do lado da minha filha por pouco, (a não ser pra tomar banho e comer qualquer besteira), e então ela não iria voltar pra casa, surtei. Liguei para o meu marido aos prantos e ficamos lá torcendo para que tudo desse certo.

Após quatro horas de cirurgia ela retornou para o quarto entubada e sonolenta. Foi me explicado que tiraram um nódulo de dentro do intestino dela. Ele estava obstruindo a passagem dos alimentos e causando toda dor e sangramento até então. Por estar na parte interna do intestino grosso, os exames não demonstravam nenhum sinal deste nódulo, e por isso o procedimento cirúrgico foi crucial para solucionar o problema.

3. Nestas horas muitos parentes atrapalham

Por mais que todos da família se importem e estejam preocupados com o que possa estar acontecendo com nossos filhos doentes, eles podem acabar sendo muito cruéis em momentos como estes. Eu precisei ouvir que eu era fresca e gostava de impor cirurgias a meus filhos, cirurgias estas que, do ponto de vista deles ( que nada entendem sobre medicina) seriam desnecessárias. Ouvi que alguns exames não deveriam ser feitos, palpites sobre a minha incapacidade de conversar com os médicos (como se eu não tivesse interesse ou, fosse burra mesmo, em obter todas as informações possíveis e, até impossíveis, direto da boca deles), tive que ouvir também, que não era necessário trocá-la de hospital… bem, foi o que a salvou.

Confie em si mesma, em sua intuição, e siga o que o seu coração mandar, sempre. Se isole se for preciso, no final, valerá mais a pena.

4. Exija o apoio da escola

O aluno tem o direito de faltar às aulas em caso de doença. A minha filha levou 37 pontos na última cirurgia, e ela tinha apenas 5 anos de idade. O corte em seu abdome era enorme, e mesmo que, algumas pessoas possam ter olhado e dito, ” nem é tão grande assim…”, para uma boa mãe, qualquer joelho esfolado é doído de se ver. Eu sentia muito ver a minha filha costurada e se recuperando de um problema que durou anos para ser tratado corretamente, mas, mesmo assim, tive que ouvir da diretora da escola que ela não teria “atenção especial”, que precisaria correr atrás das notas por conta própria, e mesmo com algum esforço, ainda poderia ser reprovada. E foi. Hoje, esta diretora foi substituída, procuramos a justiça após algum tempo e ela se fez.

Temos a escola como parceira nos momentos bons, mas precisamos que ela seja ainda melhor nos maus momentos. Por isso, saiba que vale a pena recorrer à diretoria de ensino, secretaria da educação e conselho tutelar, para solucionar os problemas com maus gestores.

5. Comemore

Após os problemas estarem resolvidos e a nossa filha estar de volta em casa, nós reunimos alguns parentes e amigos e fizemos uma pequena comemoração. Estava próximo de seu aniversário, e então resolvemos não deixar passar em branco. Neste momento eu esqueci tudo de ruim que havíamos passado, nossa filha nasceu de novo após tanto sofrimento e tudo o que importava desde então era tê-la bem. Aliás, tão bem que, precisei correr para impedi-la de andar de patinete quando voltávamos do hospital para a  retirada dos pontos.

Intussuscepção intestinal

intussuscepção intestinal

O que a Mariana teve foi uma  intussuscepção intestinal. Acontece com crianças de 3 meses a 6 anos de idade. Trata-se de um problema causado por massas ou nódulos localizados nas paredes dos intestinos. Estes nódulos podem secretar muco e sangue, além de causar dor e sofrimento. Entre os sintomas também posso citar vômito, diarreia e febre. Em alguns casos, em que a criança apresenta febre dado a infecção no local, é necessário uma intervenção médica urgente.

Os exames utilizados para diagnosticar o problema são: ultrassonografia abdominal, colonoscopia, exame de trânsito intestinal, e exame clínico, no qual é possível sentir uma massa na região do abdome. Para tratar o problema, o melhor método é a cirurgia. Informe-se de todas as maneiras, estude, exija exames mais conclusivos, e procure sempre a opinião de diferentes médicos.

Teka

Redatora e ilustradora de conteúdo para sites na internet. Curiosa, pesquisadora e investigativa. Tinha o sonho de se tornar astronauta. Acredita que um dia encontrará a "arca da aliança" e trocará informações com civilizações avançadas de outros planetas. Casada há 20 anos, mãe de 3 filhos, compartilhando experiências.

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