5 mitos sobre o bem estar do seu filho que você deve ignorar completamente

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Acho impressionante a quantidade infinita de mitos que, cada vez mais, fazem parte da realidade familiar. Isto inclui desde, inúmeros aplicativos para dispositivos eletrônicos, que prometem transformar nossos filhos em verdadeiros gênios, a até, considerações psicológicas feitas por pessoas cuja funções se distinguem completamente do cargo de psicólogo. Definitivamente, há muitos educadores transpondo suas responsabilidades em sala de aula, para profissionais da psicologia, alegando questões patológicas, na maioria das vezes inexistentes. Acontece que é muito mais simples e fácil retirar o aluno que precisa de maior atenção de dentro da sala de aula, do que, simplesmente lhe dar a atenção necessária. Mas, como conhecimento é tudo, saiba mais sobre estes mitos e ignore-os completamente.

Os mitos sobre o bem estar e desenvolvimento do seu filho

 

Stephen Camarata, PhD, é professor no departamento de audição e fala de ciências e, professor de psiquiatria na Escola de Medicina da Universidade Vanderbilt. Ele é pai de sete filhos e decidiu ir a fundo sobre  questão dos mitos que muitas vezes não resolvem, se não, atrapalham, o desenvolvimento de nossas crianças. Em seu livro “The Intuitive Parent”, ou, em tradução livre, ” A intuição dos pais”, ele relata alguns destes inúmeros mitos, um dos quais eu me identifiquei bastante e por isso resolvi compartilhar com vocês.

Bem, a moda agora é afirmar que, as crianças com dificuldade de aprendizagem, que são desinteressadas, super ativas, ou, até mesmo difíceis de controlar, sofrem de alguma patologia como hiperatividade ou autismo. O meu filho mais novo é um destes que, desde os primeiros dias de aula demonstrou um perfeito descontentamento e desinteresse pela escola. Mas, a escola por sua vez, demonstrou um desinteresse 2 vezes maior pelo meu filho como aluno. Este é o momento em que uma instituição é desafiada a desenvolver novos métodos escolares e disciplinares rumo ao seu desenvolvimento e evolução na transposição de problemas, mas, prefere se esquivar e se acomodar sem qualquer vergonha de tal atitude. O que me leva a revelar o primeiro mito.

Mito 1: Seu filho precisa ir para uma sala especial

Desconfie de qualquer professor que aconselhe o seu filho a se mudar para uma sala especial. Algumas crianças demoram um pouco mais para falar, andar, ou, identificar objetos e questões que, outras crianças da mesma idade, mas, de maneira alguma, esta demora em desenvolver certas habilidades representa um distúrbio relacionado ao autismo, por exemplo. O próprio autor do livro citado acima, no qual me baseei para escrever este artigo, falou somente aos 3 anos de idade, e jamais apresentou qualquer patologia de fundo psicológico. Então, pais, ignorem qualquer diagnóstico devastador antes de passar meses em avaliações e diversas opiniões obtidas por especialistas.

Os professores estão se sentindo cada vez mais acomodados ao repassarem suas obrigações a profissionais da área psicológica, e eles não possuem qualquer autoridade para isso.

Mito 2: Você precisa estimular o cérebro do seu bebê com jogos e atividades antes dele completar 3 anos de idade

Não. O cérebro do seu bebê não vai perder potencial ao completar 3 anos de idade. A verdade é que, apesar de tais estímulos serem positivos nesta fase, não significa que os mesmos necessitem ser aqueles relacionados a compreensão de palavras, desenvolvimento da leitura, matemática, ou, outros de percepções avançadas. Tudo o que o seu bebê precisa até os 3 anos de idade é de estímulos naturais, que o próprio relacionamento com os pais determina. Ou seja, o simples ato de conversar e dar atenção ao seu bebê nesta fase, será todo o estímulo que ele precisa. Além disso, crianças muito estimuladas desenvolvem pouco o seu poder de concentração.

Mito 3: Seu filho precisa tomar Ritalina

Para quem não sabe, Ritalina é um tipo de medicamento receitado para crianças hiperativas. Mas a hiperatividade só pode ser diagnosticada a partir dos 7 anos de idade, ou seja, se seu filho não consegue se adequar na sala de aula porque prefere desenhar, correr ou brincar durante a hora de leitura, ele simplesmente, necessita de um método diferenciado dos outros alunos, algo que lhe faça sentir-se entusiasmado a aprender. As vezes, o simples ato do professor lhe pedir ajuda para mudar as páginas do livro, ou exibi-las enquanto a estorinha é contada, pode torná-lo mais interessado. É uma judiação muito grande querer transformar esta criança num zumbi para ter tranquilidade em sala de aula, seria o mesmo que tentar fazer um triângulo se encaixar no espaço de um quadrado.

Leia mais sobre a hiperatividade clicando aqui: Hipertividade

Mito 4: Todas as crianças devem se interessar por atividades em grupo e fazer muitas amizades

Há dois tipos de personalidades específicas do ser humano, o extrovertido e o introvertido. Infelizmente os extrovertidos não respeitam aqueles que, na maioria das vezes preferem o isolamento, e até mesmo a solidão, que são os introvertidos. Acontece que, há pessoas que não gostam muito de ficar uns com os outros o tempo todo, e escolhem ler, a praticar algum esporte, ou atividade em grupo. Existem inúmeros fatores que levam estas pessoas a preferir tais opções, como por exemplo, aquela vontade incessante de descobrir o temível vilão de determinado livro, ou, evitar expor alguma particularidade física que o torna desconfortável diante de outras pessoas, como peso, medida, uma espinha… e assim por diante.

Eu sou o tipo de pessoa introvertida, que prefere ter poucos e bons amigos, ficar em casa aos sábados à noite tomando vinho e assistindo a um bom filme, ou, mesmo curtindo o meu espaço e admirando a minha família. Agora que sou adulta faço isso com tranquilidade, mas antes, eu me sentia pressionada a participar de festas com a família e fazer amizades com as pessoas. O meu maior problema eram as aulas de educação física. Eu adorava jogar vôlei na rua da minha casa, onde eu conhecia todas as crianças, e me divertia muito. Já na escola, a situação era outra, eu estava entrando na puberdade e jogar vôlei com pessoas “estranhas” (alunos da escola), havia se tornado algo muito constrangedor, pois entre as alunas, eu era a única que tinha peitos. Naquela época eu acabei tomando a decisão de enviar uma declaração de trabalho para não precisar mais passar por tal constrangimento durante as aulas de educação física, mas uma amiga da família preferiu agir para impedir a minha atitude “infame”. Bom, eu acabei tendo de ir a todas as aulas, fui humilhada, e até ameaçada por um grupo de meninas literalmente despeitadas. O resultado não poderia ser outro, me tornei ainda mais sozinha e depressiva naquela época, comecei a ir mal nos estudos, e quase bombei naquele ano. Então, pais, entendam que, se seus filhos não querem se enturmar, eles devem ter uma boa razão para isso, e devem ser respeitados.

Mito 5: Nunca vi uma criança igual ao seu filho!

Não esquentem pais, se um dia alguém lhes disser algo parecido com, “eu nunca vi uma criança assim antes”, ou “é a primeira vez que escuto isso de uma criança”, em relação ao seu filho, pois na verdade esta pessoa está reagindo a um fato sobre o qual não consegue ter controle, e por este motivo precisa direcionar a responsabilidade a alguém o mais rápido possível. Sim, crianças e adolescentes podem ter atitudes que nos assustam as vezes, mas todos são iguais, e por isso são classificados por idade, bebê, criança, jovem e adulto. Pode acontecer de um dia, nossos filhos se tornarem indisciplinados, respondões, e autoritários, faz parte do desenvolvimento de cada um e, muitos de nós, se ainda não vimos alguma criança ou adolescente “assim”, “assim” podemos ter sido durante a nossa própria infância ou adolescência. O que temos a fazer é tomar providências que conscientizem a criança ou o adolescente para que se arrependam e se redimam de seu erro, sem carregar para si aquela culpa que os pais costumam carregar em situações como estas. Não se sintam culpados ou, tratem seus filhos como sendo diferentes do restante das outras crianças ou adolescentes, porque provavelmente não são.

Espero ter ajudado!

Teka

Redatora e ilustradora de conteúdo para sites na internet. Curiosa, pesquisadora e investigativa. Tinha o sonho de se tornar astronauta. Acredita que um dia encontrará a "arca da aliança" e trocará informações com civilizações avançadas de outros planetas. Casada há 20 anos, mãe de 3 filhos, compartilhando experiências.

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