Como a Inteligência Artificial pode nos ajudar a compreender nossos filhos

filhos



Existe um ramo da ciência da computação dedicada a desenvolver um tipo de inteligência artificial que favorece a uma máquina a possibilidade do livre pensamento e poder de escolha. Isso envolve reconhecer e optar entre o bem e o mal, o certo e o errado e, aquilo que impacta a ele mesmo e as outras mentes pensantes de forma positiva ou negativa. Ou seja, uma capacidade de raciocínio similar a de um ser humano. Esta realidade vem se tornando possível a partir da criação de dispositivos programados para que a máquina se torne inteligente e possa resolver questões sociais comuns do nosso dia a dia.

Recentemente, a rede de computadores Microsoft disponibilizou, através da internet, um robô chamado Tay para interagir com o público juvenil da rede social Twitter, uma maneira simples e barata de testar o seu mais novo experimento. Tay é um robô adolescente que conhece as músicas de Taylor Swift e Miley Cyrus. Ela aprende enquanto interage com as publicações das pessoas e toma para si aquilo que considera correto. A iniciativa da empresa pretendia “socializar” a jovem mente artificial para que se tornasse o mais natural possível, uma atitude parecida com a que tomamos na intenção de socializarmos uma criança, é como fazemos com nossos filhos.

Acontece que, na internet há uma vasta linha de pensamentos, muitas vezes conflitantes e, embora este meio pudesse ser o ideal para que o robô Tay desenvolvesse o seu lado positivo, colaborativo e parcialmente correto, o que ocorreu foi exatamente o oposto do esperado. Em poucas horas o robô inteligente da Microsoft demonstrou empatia por Hitler e pelo holocausto, e seguiu postando comentários racistas, homofóbicos e sexistas em seu perfil. Este tipo de comportamento é comum de uma inteligência ingenuamente pura contaminada por informações inadequadas.

Na rede social a chatbot Tay foi direcionada a replicar o que escreviam para ela, foi convidada a processar caracteres com significados que a humanidade busca extinguir da face da Terra. As pessoas que interagiam com a inteligência Artificial no Twitter durante aquelas 24 horas em que permaneceu online, estavam mal-intencionadas e acabaram corrompendo o projeto. Já, por outro lado, este experimento pode servir para demonstrar como nossos filhos podem ser influenciados pelas pessoas a sua volta, no próprio ambiente familiar, através de grupos sociais, e até mesmo na internet.

A ingenuidade é um fator comum entre as mentes

Ao observar Tay na rede social, pude perceber o quão frágeis e vulneráveis podem ser nossos próprios filhos. A ingenuidade é um fator comum entre as mentes do robô e das crianças. Por não saber do que se tratavam as palavras que eram escritas para ela na rede social, as mesmas eram replicadas de maneira inocente em sua time line. Do mesmo modo agem nossos filhos, eles repetem os palavrões proferidos em casa, na rua ou no ambiente escolar sem ter uma real noção do que significam. Eu mesma só fui descobrir o que significavam certas palavras de baixo calão perto dos meus 15 anos de idade, fase em que os termos sexuais começam a fazer sentido e podem ser relacionados, mas até aí, já havia ouvido e pronunciado alguns deles sem ter ideia do que se tratavam.

Para as crianças é importante estar em grupo, elas se sentem acolhidas e protegidas, se este grupo se dirigir a praticar comportamentos inadequados, não serão elas mesmas as primeiras a reagir contra, pois esperam ser aceitas. Sendo assim, é comum e compreensível que cometam erros, não será o fim do mundo. Apenas observemos com maior atenção e cuidado redobrado. Os primeiros anos da vida de uma criança são determinantes para a formação do seu caráter.

Assim como a  robô da Microsoft fora integramente desenvolvida por seus criadores, também criamos e educamos nossos filhos de forma íntegra, para que sejam pessoas boas, de bom coração. Mas esse cuidado não impede que, ao se  socializarem com outras pessoas, possam optar por caminhos divergentes.

Uma mente inocente é um alvo fácil

Tay havia acabado de nascer e assim que foi exposta ao mundo se tornou vítima. Como toda novata, iniciou a conversa com aqueles que a seguiam de forma descontraída, porém, em poucas horas já declarava que odiava a todos, mesmo que o ódio não lhe fizesse sentido algum, afinal ela mesma não sente mas, uma criança pode vir a sentir.

Provou-se então que, incitar o ódio em mentes inocentes é fácil, e as pessoas a nossa volta fazem isso de uma maneira chocante. Se não fazem pessoalmente, fazem através das notícias, dos canais de televisão, dos sites, blogs e canais do Youtube, os quais ainda são pouco regulamentados.

Quando seus criadores perceberam o que estava acontecendo logo agiram em defesa da robô, deletando ou editando as suas postagens, mas as pessoas os criticaram. Clamavam para que Tay pudesse ser ela mesma e continuasse postando por si, ou, por aquelas pessoas que a manipularam? De qualquer modo, se acharam ainda, no direito de exigir como fosse tratada a robô. E qual mãe ou pai já não se viu na mesma situação? Quantas pessoas acham que possuem o direito sobre a educação de nossos próprios filhos?

Como evitar que as pessoas tenham má influência sobre nossos filhos

O problema aqui é a grande diferença que existe entre a mente do ser humano e a de um robô. A experiência de Tay, certamente poderá ser deletada de sua memória. Já o mesmo não ocorre com uma criança, que levará tal experiência para a vida toda. O ser humano escolhe entre o bem e o mal, assim como o certo e o errado, de acordo com seus medos, carências e inseguranças. Nós tomamos certas decisões para sermos aceitos, por desafio, ou, simplesmente por curiosidade. Seguimos uma linha de raciocínio complexa com base em nossos sentimentos e emoções, correspondendo ao ambiente em que nos encontramos, vivemos, ou fomos criados.

Traumas psicológicos, estresse, pressão, opressão, e até mesmo excesso de liberdade no ambiente familiar, são alguns estados que podem favorecer com que as crianças ou adolescentes façam escolhas irresponsáveis. Para as meninas principalmente, é muito importante a presença e o bom exemplo do pai, que irá garantir que ela procure se relacionar com homens de personalidade semelhante. Ela escolherá, entre todos os tipos de personalidades existentes, aquela que ela conhece e está familiarizada. Portanto, sendo este pai violento e abusador, ela certamente sofrerá ao escolher um parceiro.

É claro que não podemos impedir nossos filhos de um dia encontrarem pessoas mal intencionadas na vida, mas podemos auxiliá-las a ter uma personalidade firme e equilibrada para que possam se defender sozinhas.

Teka

Redatora e ilustradora de conteúdo para sites na internet. Curiosa, pesquisadora e investigativa. Tinha o sonho de se tornar astronauta. Acredita que um dia encontrará a "arca da aliança" e trocará informações com civilizações avançadas de outros planetas. Casada há 20 anos, mãe de 3 filhos, compartilhando experiências.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *